Sa├║de ONCOLOGISTAS ALERTAM

Câncer está mais comum antes dos 50 anos; saiba como reduzir chances de ter a doença

Por Medeirosneto.com

26/03/2023 às 13:17:21 - Atualizado h├í

Letícia Prates, 34 anos, descobriu que tinha c├óncer aos 25. Ela sentiu uma bolinha na mão esquerda, mas teve dificuldade em conseguir um diagnóstico, j├í que nem mesmo sua ginecologista acreditava que aquela bolinha pudesse ser um c├óncer. "Todo mundo me dizia "c├óncer não dói, fica tranquila", mas eu sentia tudo repuxando. Lembro de pedir a Deus para tirar aquilo de mim. Doía muito", relembra ela sobre sua presença num grupo só aumenta nos últimos anos: o de jovens que desenvolvem neoplasias antes dos 50 anos de idade.

Quando foi tirar a tal bolinha, a médica informou que ela tinha um c├óncer invasivo: HER2 negativo hormonal, um tipo de c├óncer de mama. A partir daí, Letícia foi encaminhada para a oncologia e uma mastectomia total foi realizada antes dos seus 26 anos. "Como eu era muito jovem, tive dificuldade de conseguir um diagnóstico, porque nem mesmo a minha ginecologista, nem os médicos, acreditavam que aquela bolinha pudesse ser um c├óncer", relembra.

Após o tratamento, em que Letícia precisou passar por quimioterapia e tomar tamoxifeno – medicamento que age bloqueando os receptores de estrog├¬nio nas células cancerosas –, a jovem ficou bem e a doença entrou em remissão. No entanto, dois anos e meio depois, em 2017, Letícia, que morava no interior de São Paulo, descobriu uma met├ístase nos ossos e linfonodos. O diagnóstico a fez procurar ajuda nos grandes centros da capital paulista.

Mudança de h├íbitos
Segundo ela, seu prognóstico não era bom, j├í que a met├ístase era muito nova e próxima do primeiro c├óncer. Em São Paulo, encontrou o oncologista Fernando Maluf, que se comprometeu a fazer um tratamento curativo. Para isso, a jovem precisou mudar seu estilo de vida, cuidar da alimentação e fazer exercícios físicos para ajudar no tratamento.

Foram necess├írias quatro quimios vermelhos, mais 16 quimios brancas e 35 radioterapias, totalizando um ano inteiro de tratamento. Felizmente, desde o início do processo, a doença entrou em remissão e continua controlada até hoje. Para Letícia, a persist├¬ncia e a disciplina foram fundamentais para vencer o c├óncer.

"Costumo brincar dizendo que fui impaciente, queria me curar. Hoje estou no controle, minha saúde est├í ótima", conta ela.

O caso de Letícia alerta para a import├óncia do diagnóstico precoce do c├óncer, bem como da import├óncia de adotar h├íbitos mais saud├íveis de vida. Além disso, é importante reforçar que, mesmo após o tratamento, é necess├írio realizar exames de rotina, j├í que o controle da doença pode durar até cinco anos.

Cada vez mais comum
A equipe de pesquisa do Movimento Todos Juntos Contra o C├óncer – coalisão de mais de 300 organizações da saúde que se dedicam à melhoria da atenção oncológica no Brasil, projeto liderado pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), por meio de revisão sistem├ítica e an├ílises de casos de pacientes ajudados pela associação, notou que a incid├¬ncia de c├óncer em pessoas com menos de 50 anos vinha aumentando. Assim nasceu a decisão de realizar uma an├ílise de dados abertos, fontes oficiais de informação em saúde, para entender este cen├írio.

A partir do estudo intitulado "C├óncer antes dos 50", feito pelo Observatório de Oncologia, um projeto do Movimento Todos Juntos Contra o C├óncer (TJCC), detectou que sim, esta era uma realidade entre os brasileiros.

"Conforme envelhecemos, as células também envelhecem. Assim, o sistema de reparação celular começa a falhar e pode, por v├írios fatores, acontecer o desenvolvimento de um c├óncer. Mas, segundo o levantamento do Observatório, constatamos que o aumento da incid├¬ncia e mortalidade por alguns tipos de neoplasias, que até então estavam relacionadas com o avanço da idade, vem acontecendo em pessoas cada vez mais jovens. E dentre os motivos estão os maus h├íbitos cotidianos e o estilo de vida não saud├ível, o que aumenta a exposição aos principais fatores de risco", explica Catherine Moura, médica sanitarista, CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e líder do TJCC.

A médica Catherine Moura, CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), aponta maus h├íbitos cotidianos e estilo de vida não saud├ível como fatores de risco (Foto: Divulgação)

O c├óncer de próstata teve um aumento de incid├¬ncia de 5,2% nessa população, e a obesidade é um de seus fatores de risco. O c├óncer de cólon e reto teve um aumento de incid├¬ncia de 3,4% nessa faixa et├íria, e ele est├í muito ligado à m├í alimentação e sedentarismo. A mortalidade por c├óncer de mama em mulheres mais jovens aumentou em 2,5%, e sedentarismo e obesidade também são seus fatores de risco.

"Os resultados completos apresentados neste estudo evidenciam a necessidade de estabelecer de forma priorit├íria e urgente políticas públicas de prevenção e controle do c├óncer no Brasil. É fundamental alertar, por meio de ações informativas, sobre a import├óncia de adotar h├íbitos saud├íveis, como a pr├ítica de atividade física regular, evitar consumo de bebidas alcoólicas, evitar o tabagismo e adotar alimentação saud├ível e balanceada", salienta a especialista.

Fatores de risco
Existem diversos fatores de risco para o desenvolvimento da doença, incluindo idade, histórico familiar, tabagismo, obesidade e exposição a agentes cancerígenos. A prevenção é uma das principais medidas para evitar o c├óncer, e inclui a adoção de um estilo de vida saud├ível e a realização de exames de rotina. Também é importante estar atento aos sintomas da doença, e procurar ajuda médica o mais cedo possível.

"Nas fases mais precoces, a doença pode ser totalmente assintom├ítica. Por isso, sem dúvida, é fundamental a realização dos exames de rastreamento para o diagnóstico precoce", indica Abraão Dornellas, médico do comit├¬ científico do Instituto Vencer o C├óncer.

O c├óncer colorretal é o terceiro tumor mais comum na população em geral, ficando atr├ís somente dos tumores de mama nas mulheres e tumores de próstata nos homens. Ele tem como principais fatores de risco o sedentarismo, a alimentação inadequada, o consumo excessivo de carnes vermelhas e alimentos embutidos e a obesidade.

O médico Abraão Dornellas, do comit├¬ científico do Instituto Vencer o C├óncer, indica exames de rastreamento para o diagnóstico precoce (Foto: Divulgação)

"O principal exame de rastreamento do c├óncer colorretal é a colonoscopia, que est├í indicada na população geral a partir dos 45 anos e que, se normal, deve ser repetida a cada 10 anos", recomenda o médico.

No caso do c├óncer de mama, o recomendado é realizar regularmente a autoavaliação das mamas e a mamografia, bem como exames ginecológicos de rotina. Para detectar o c├óncer de próstata, a realização do exame de toque retal e do PSA são indispens├íveis para o diagnóstico precoce.

Ultraprocessados
Um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Medicina da USP relaciona o consumo de alimentos ultraprocessados ao risco de desenvolver 25 tipos de c├óncer. A pesquisa, intitulada Epic, acompanhou por uma década 521.324 indivíduos em 23 centros de dez países europeus. Além disso, a substituição de 10% do consumo di├írio de alimentos ultraprocessados ou processados pela mesma quantidade de alimentos in natura esteve associada à redução do risco de desenvolvimento de c├óncer.

Os alimentos ultraprocessados, como biscoitos, refrigerantes e salgadinhos, são respons├íveis por um aumento significativo nos casos de c├óncer no mundo. A ingestão desses alimentos pode levar a um acúmulo excessivo de gordura e açúcar no organismo, o que favorece o desenvolvimento de tumores. Além disso, esses alimentos são ricos em subst├óncias químicas, como corantes e conservantes, que também podem ser prejudiciais à saúde.

Segundo um estudo publicado pela revista British Medical Journal, cada aumento de 10% na ingestão de alimentos ultraprocessados est├í associado a um aumento de 12% no risco de desenvolver c├óncer de diversos tipos. Portanto, é importante evitar o consumo excessivo desses itens e optar por uma dieta mais saud├ível e equilibrada, com alimentos naturais e frescos. A m├íxima é: desembrulhar menos, descascar mais.

De acordo com a oncologista clínica Maria Alzira Rocha, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, é possível reduzir o risco com h├íbitos de vida saud├íveis. Priorizar a dieta mediterr├ónea, composta por alimentos ricos em óleos de cadeia longa, como azeites, carnes magras, peixes, legumes e grãos integrais, é uma boa opção. "A prevenção é para que voc├¬ reduza o risco de ter a doença, e o diagnóstico precoce é para que voc├¬ consiga descobrir essa doença j├í nas fases iniciais", explica a oncologista.

***

Confira 5 hábitos saudáveis que ajudam a diminuir as chances do câncer precoce:

  • Exames de rotina - Indispens├ível para a identificação precoce de diversos tipos de c├óncer.
  • Descascar mais, desembrulhar menos - Consumir alimentos naturais e diminuir a ingestão de alimentos ultraprocessados.
  • Exercícios físicos - Praticar atividades físicas regularmente ajuda a prevenir o c├óncer precoce, principalmente de intestino, mama e próstata.
  • Proteção contra o sol - Use protetor solar diariamente para prevenir o c├óncer de pele.
  • Evitar o tabagismo - Prevenção de diversos tipos de c├óncer, como o de pulmão, boca, faringe, entre outros.

Comunicar erro

Comentários Comunicar erro

Medeirosneto.com

© 2023 Copyright - Medeirosneto.com
Medeiros Neto- BA

•   Política de Cookies •   Política de Privacidade    •   Contato   •

Medeirosneto.com